Pesquisa mais detalhada descobriu que a pergunta que é feita para saber se as pessoas são felizes na verdade está captando sinais de empoderamento e de riqueza

O surgimento de pesquisas como o Relatório Mundial sobre a Felicidade e indicadores como a Felicidade Interna Bruta (FIB), têm-nos mostrado que a felicidade está aumentando em todo o mundo.
Estamos medindo a felicidade de forma errada
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Mas talvez esses indicadores não estejam medindo realmente o que esperamos. Uma pesquisa mais detalhada descobriu que a pergunta que é feita para saber se as pessoas são felizes na verdade está captando sinais de empoderamento e de riqueza, e não de felicidade.
A questão central do Relatório Mundial da Felicidade é conhecida como A Escada Cantril: “Por favor, imagine uma escada com degraus numerados de 0 na parte inferior a 10 na parte superior. O topo da escada representa a melhor vida possível para você e a parte inferior da escada representa a pior vida possível para você. Em que degrau da escada você diria que se sente pessoalmente neste momento?
Um novo estudo experimental, envolvendo 1.500 adultos no Reino Unido, foi mais a fundo e examinou como as pessoas realmente interpretam essa questão. Os resultados mostram que ela mais frequentemente traz à mente conceitos de riqueza e poder, ou seja, pode não ser assim – situando-nos em uma escada que indique uma vida melhor – que a maioria de nós definiria felicidade e bem-estar.
Quando os pesquisadores ajustaram a questão de Cantril, por exemplo substituindo “a melhor vida possível” por “a vida mais harmoniosa”, os resultados se alteraram, fazendo com que os voluntários pensassem menos em poder e riqueza.
O que é felicidade para você?
Outras pesquisas já haviam mostrado que a Escada Cantril reflete os níveis de renda e o status social das pessoas em um grau maior do que outras métricas de bem-estar. O resultado deste novo estudo acrescenta mais evidências de que talvez a pergunta simples, mas poderosa, possa ser complementada no futuro.
“O nosso estudo foi realizado exclusivamente no Reino Unido, por isso é claro que esta pesquisa também deve ser realizada noutros países, dada a natureza global deste tópico. No entanto, os nossos resultados indicam que não estamos necessariamente medindo a felicidade e o bem-estar num contexto global de um modo que esteja de acordo com a forma como realmente definimos esses conceitos em nossas vidas. Isso merece uma exploração mais aprofundada. É particularmente relevante entender como as pessoas interpretam as questões de felicidade, uma vez que o quão feliz alguém é e como elas definem a felicidade não podem ser determinados por um pesquisador, mas pelas próprias pessoas,” disse August Nilsson, da Universidade de Lund (Suécia).